Outros Mecanismos de Alteração do Metabolismo
Ao longo da vida, animais endotérmicos necessitam de coletar e processar alimentos para obter energia, que será utilizada de muitas formas, dentre elas a regulação da temperatura corpórea. Porém, muitas vezes pode acontecer de o meio em que o animal se encontra esteja inadequado para a sua sobrevivência, seja ela causada pela temperatura, por falta de alimentos, entre outros fatores.
Quando isso acontece, esses animais precisam utilizar alguns mecanismos para alterar seus metabolismos em diferentes meios e diferentes situações, permitindo assim sua sobrevivência, pois conseguirão sobreviver com menores quantidades de energia. Esses mecanismos podem ser classificados em estivação, torpor e hibernação.
Torpor
Animais de pequeno porte realizam o torpor, como o beija-flor, morcegos e hamsters. Tal mecanismos não seria vantajoso para animais de maior porte pois o custo energético de manutenção de temperaturas corporais altas é relativamente maior para um animal de pequeno porte e, por consequência, um animal pequeno tem mais a ganhar entrando em torpor. Entrar diariamente em torpor é viável apenas para endotérmicos pequenos, pois quanto maior o animal, mais tempo ele leva para entrar nesse estado, o que o inviabiliza para animais relativamente grandes, como as marmotas, que levam várias horas para entrar em torpor. O torpor possui duração e intensidade moderada, permitindo a diminuição de temperatura corporal, redução drástica das taxas cardíacas e redução da taxa de respiração, podendo chegar a menos de uma inspiração por minuto.
O estado de torpor é apresentado com mais frequência em noites de inverno. O animal então abaixa radicalmente sua temperatura corporal, seu batimento cardíaco e sua respiração, o que torna o consumo energético muito menor. A atividade metabólica pode cair até 95% em alguns casos.
É importante destacar que torpor pode ser muito perigoso para o animal. Uma vez que a atividade metabólica está drasticamente abaixada seus reflexos e habilidades de reação também são mais baixos, o que os torna bem mais vulneráveis a seus predadores.
Chickadees
O trabalho de Susan Chaplin nos apresenta um rico exemplo de um animais que realizam torpor: os “chickadees”, que são pequenas aves, de 10 a 12 g de massa corporal. Durante o inverno de Nova York, os “chickadees” deixam sua temperatura corpórea normal de 40 a 42°C durante o dia caírem para 29 a 30°C durante a noite.


Esta redução da temperatura corporal permite uma redução de 30% no metabolismo do animal. Os estudos apontam que ao fim da tarde, esses animais possuem 0,80 g de gordura no corpo, e ao amanhecer possuem 0,24 g, sendo a gordura metabolizada de 0,56 g esperada por uma ave que tenha tido sua temperatura corporal rebaixada para 30°C. Caso não houvesse essa redução na taxa metabólica, os “chickadees” precisariam de 0,92 g de gordura corporal, o que é mais do que as aves possuem quando vão para o poleiro ao entardecer. Se não entrassem em torpor morreriam de fome antes do amanhecer, e mesmo entrando em torpor eles gastam 70% da sua reserva de gordura durante a noite, assim, não possuem suprimento de energia permitindo ir muito além do sol nascer, e por isso esses animais estão entre os primeiros pássaros a iniciar a coleta de alimento ao amanhecer do dia.
Estivação
Utilizada por animais que vivem em desertos ou em climas tropicais, de várias espécies, como os moluscos, artrópodes, peixes, répteis e mamíferos, a estivação pode ser entendida como uma letargia induzida em animais por calor seco excessivo do meio, quando o ambiente está inapropriado para a sobrevivência.
O animal então geralmente faz uma cova no solo, onde a temperatura permanece fria, e então entra em um sono profundo, um sono estival, reduzindo sua atividade metabólica.
Piramboia
A piramboia, uma espécie de peixe pulmonado encontrado na Amazônia brasileira que vive em rios e pântanos que periodicamente secam, realiza a chamada estivação, quando o rio ou lago em que ela está começa a secar, a piramboia entra no estado de estivação, se enterrando na lama e diminuindo a taxa metabólica, há também o abaixamento da excreção de ureia, que se acumula no corpo e é eliminada quando o animal volta a sua condições normais, podendo assim sobreviver por longos períodos, mesmo após a lama secar totalmente, visto que o peixe constrói um tipo de casulo formado pela secreção e endurecimento de muco, em que há um buraco na extremidade superior, por onde entra o ar para que ele continue respirando pelo seu pulmão.


A energia utilizada pelo animal durante esse período advém da queima da gordura presente entre seus órgãos, assemelhando-se com a hibernação de outros animais. Assim que o local onde a piramboia está enterrada volta a receber agua em quantidade, o animal volta as suas atividades normais.
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